Remédio de farmácia para zumbido no ouvido: funciona mesmo?
O zumbido no ouvido afeta milhões de brasileiros e muitos recorrem a remédios de farmácia em busca de alívio rápido. Mas será que essas opções atualmente disponíveis realmente funcionam, ou representam apenas uma esperança passageira? Descubra o que diz a ciência e especialistas brasileiros.
Quem convive com zumbido no ouvido costuma descrever o incômodo como um som constante que só ele escuta, mesmo em ambientes silenciosos. Diante desse desconforto, é comum buscar uma solução rápida, muitas vezes em remédios vendidos livremente em farmácias. No entanto, o tratamento desse sintoma é bem mais complexo do que simplesmente escolher um produto na prateleira, e conhecer as causas e limites dos medicamentos é essencial para tomar decisões mais seguras.
O que é zumbido no ouvido e suas causas
O zumbido no ouvido, também chamado de acufeno, não é uma doença em si, e sim um sintoma. Ele pode se manifestar como apito, chiado, pulsação ou até barulho de cachoeira. Em grande parte dos casos é subjetivo, ou seja, apenas a própria pessoa ouve o som. Entre as principais causas estão exposição prolongada a ruídos intensos, envelhecimento natural da audição, acúmulo de cera, infecções de ouvido, alterações na circulação sanguínea, problemas na articulação temporomandibular, além de fatores emocionais, como estresse e ansiedade.
Outro ponto importante é que alguns medicamentos podem desencadear ou piorar o zumbido, principalmente quando usados em doses altas ou por muito tempo. Por isso, entender a origem do sintoma, por meio de avaliação com otorrinolaringologista e exames de audição, costuma ser o primeiro passo para pensar em qualquer tipo de tratamento, inclusive o uso de remédio de farmácia.
Principais remédios de farmácia encontrados no Brasil
Nas farmácias brasileiras, o que mais se encontra para queixas relacionadas ao zumbido são suplementos e associações com vitaminas, minerais e extratos de plantas. Alguns produtos contêm ginkgo biloba, vitaminas do complexo B, magnésio ou zinco, entre outros componentes. A promessa costuma ser melhorar a circulação na região da orelha interna ou corrigir possíveis deficiências nutricionais que poderiam contribuir para o sintoma.
Também é comum que pessoas com zumbido usem analgésicos ou anti-inflamatórios para aliviar incômodos associados, como dor de cabeça ou desconforto no pescoço. Em alguns casos, medicamentos usados para tontura, enjoo ou alergia são utilizados com a expectativa de reduzir o zumbido, embora muitas dessas indicações não estejam descritas na bula para esse fim específico.
É importante destacar que, mesmo quando estão disponíveis sem receita, esses produtos não são isentos de riscos. Eles podem causar efeitos adversos, interagir com outros medicamentos em uso ou simplesmente não ter qualquer impacto sobre o zumbido em si, gerando frustração e adiando o diagnóstico correto da causa do problema.
Eficácia comprovada: o que mostram os estudos recentes
Quando se fala em eficácia comprovada, a pergunta principal é se o remédio de farmácia realmente reduz a intensidade ou a frequência do zumbido de forma consistente. Estudos científicos sobre suplementos com ginkgo biloba, vitaminas ou minerais apresentam resultados variados. Em geral, as pesquisas apontam que o benefício, quando existe, tende a ser discreto e muitas vezes não é superior ao efeito placebo, especialmente em casos de zumbido crônico sem causa claramente identificável.
No caso das vitaminas e minerais, os resultados costumam ser mais favoráveis apenas quando há uma deficiência comprovada. Ou seja, se a pessoa não tem falta de vitamina B12 ou de zinco, por exemplo, suplementar sem necessidade dificilmente trará melhora real do zumbido e ainda pode provocar efeitos indesejados, como desconforto gastrointestinal.
Já analgésicos comuns têm pouca ou nenhuma ação direta sobre o zumbido, atuando apenas na dor associada. O consenso entre especialistas é que não existe, até o momento, um comprimido de farmácia com eficácia garantida e universal para todos os tipos de zumbido no ouvido. A abordagem costuma ser individualizada, considerando a causa identificada e o impacto do sintoma na qualidade de vida.
Cuidados ao usar medicamentos sem prescrição
O uso de medicamentos sem prescrição para tentar aliviar o zumbido exige atenção redobrada. Em primeiro lugar, a automedicação pode mascarar sinais de problemas mais sérios, como infecções de ouvido, doenças da orelha interna, alterações vasculares ou até tumores raros, que se manifestam inicialmente apenas com zumbido persistente em um dos lados.
Outro cuidado importante está nas interações entre os remédios de farmácia e outros tratamentos em andamento. Pessoas idosas, que frequentemente usam vários medicamentos ao mesmo tempo, têm risco maior de interações e efeitos adversos. Gestantes, pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes ou problemas renais e hepáticos, também merecem orientação individualizada antes de iniciar qualquer produto, mesmo os vendidos sem exigência de receita.
Além disso, alguns medicamentos, quando usados de forma inadequada, podem eles próprios piorar o zumbido ou prejudicar a audição. Por isso, ler atentamente a bula, respeitar doses e duração de uso e, sempre que possível, discutir a decisão com um profissional de saúde são atitudes fundamentais para proteger a audição e a saúde geral.
Alternativas e tratamentos recomendados por especialistas brasileiros
Profissionais brasileiros que lidam diariamente com pacientes com zumbido no ouvido costumam adotar uma visão ampla do problema. Em vez de focar apenas em um remédio de farmácia, a conduta tende a combinar diferentes estratégias. O primeiro passo costuma ser investigar e tratar causas específicas, como retirar excesso de cera, tratar infecções, ajustar medicamentos que possam estar contribuindo, corrigir alterações metabólicas ou indicar aparelhos auditivos quando existe perda de audição associada.
Outra linha de cuidado é a terapia sonora, que utiliza sons ambientais, ruído branco, música ou geradores sonoros para reduzir a percepção do zumbido e o incômodo que ele provoca. Em paralelo, abordagens psicológicas, como terapia cognitivo-comportamental, ajudam a lidar com a ansiedade, o estresse e a insônia frequentemente associados ao sintoma, diminuindo o impacto do zumbido na rotina.
Medidas de estilo de vida também são frequentemente recomendadas, como proteção contra ruídos intensos, sono regular, redução do consumo excessivo de cafeína, nicotina e álcool, além de práticas de relaxamento para controle de estresse. Em muitos casos, a combinação desses cuidados traz mais benefício do que insistir apenas em um único remédio de farmácia, especialmente quando não há evidência clara de eficácia para o tipo específico de zumbido apresentado.
Este artigo tem finalidade apenas informativa e não deve ser considerado aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado para obter orientação e tratamento personalizados.
Em resumo, o remédio de farmácia para zumbido no ouvido pode ter um papel limitado, geralmente como complemento em situações específicas, e não como solução definitiva. A compreensão das possíveis causas do sintoma, a avaliação especializada e a combinação de diferentes abordagens, envolvendo cuidado médico, terapia sonora, suporte psicológico e ajustes na rotina, formam o caminho mais consistente para reduzir o impacto do zumbido na qualidade de vida a longo prazo.